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Jimi Hendrix e os 50 anos de sua “experience”

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É fácil entender porque Jimi Hendrix ainda é um ícone imbatível da cultura, mesmo passado meio século desde o que o primeiro registro de sua força emocional e sonora foi disponibilizado em escala industrial. Are You Experienced?, que chegou às lojas de disco no dia 12 de maio de 1967, concentra as principais qualidades do guitarrista, mas, visto à distância, cinquenta anos depois, é essencialmente um disco pop. Canções como “Purple Haze”, “Fire”, “Foxy Lady” e a faixa-título já se embrenharam na textura sonora do inconsciente coletivo a ponto de serem consideradas, sem dúvida, hits. Fora a figura encantadora de Hendrix, um trickster armado com uma guitarra, um soul man psicodélico, um xamã elétrico.

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Difícil, no entanto, é entender o impacto que Jimi Hendrix exerceu sobre os anos 60 – e como sua presença foi capital para sincronizar dois continentes em uma nova perspectiva de vida, alinhando a contracultura de Londres (e consequentemente a da Europa) à de Nova York e da Califórnia (e consequentemente a da América) ao redor de o despertar de uma nova consciência. Não por acaso o disco foi lançado no mítico 1967 – é um dos discos que ajudou a transformar aquele ano numa época de ouro para a música, para o rock e para a cultura contemporânea, como um todo.

E isso aconteceu num estalo. Um ano antes de seu lançamento, Jimi Hendrix sequer era Jimi Hendrix. Tocava em uma banda chamada Jimmy James and the Blue Flames onde exercitava todo seu virtuosismo rock aprendido na marra ao lado de titãs da música negra, como os Isley Brothers e Little Richards, de quem foi guitarrista de suas bandas de apoio. Mas estava longe do alienígena musical que se transformou em poucos meses. Já estava acompanhando o que seus contemporâneos brancos dos Estados Unidos e da Inglaterra estavam fazendo, principalmente Dylan, uma de suas principais influências, e os Beatles. Mas a barreira racial o impedia de ir para além da fronteira onde atuava, até que Linda Keith surgiu em sua vida.

A história de Linda com Hendrix parece um conto de fadas. Ela o viu se apresentando no Cafe Wha, em Nova York, e imediatamente reconheceu seu talento cru. Modelo e it girl inglesa, Linda era namorada de Keith Richards dos Rolling Stones e passava uma temporada na costa leste americana quando percebeu que poderia lapidar aquele guitarrista. Foi ela quem o convenceu a deixar o cabelo crescer e a cantar, usando Dylan como parâmetro para estas mudanças no guitarrista. Ela insistiu que adotasse seu verdadeiro sobrenome e não se escondesse atrás de uma banda – além de assinar seu prenome de forma singular, Jimi, e não como todos os outros James, que assinavam o próprio apelido como Jimmy. Ela lhe sugeriu que usasse roupas menos comportadas e que experimentasse o ácido lisérgico. Em outras palavras, Linda lhe aplicou uma dose expressa da Swinging London, a transformação comportamental que tirava Londres do pós-guerra e puxava a capital inglesa para a era psicodélica. O encontro de Jimi e Linda é crucial para a transformação de Hendrix em um ícone da música e da contracultura global.

Ela usou suas conexões para tentar chamar atenção da indústria fonográfica para o músico, mas nem Andrew Loog Oldham (empresário dos Rolling Stones) e Seymour Stein (dono da gravadora Sire Records) não viram grande coisa no guitarrista. Foi preciso que Linda o apresentasse a um amigo músico que estava insatisfeito com a vida dos palcos e queria experimentar a vida nos bastidores, empresariando um novo artista. Chas Chandler, ex-baixista dos Animals, havia ouvido a música “Hey Joe” e sabia que ela seria o hit do primeiro artista que empresariasse. E ele conseguiu ver exatamente o que Linda dizia quando assistiu Jimi Hendrix ao vivo.

Chandler é a segunda ferramenta para a ascensão de Hendrix. É ele quem banca a viagem do guitarrista para Londres, suas primeiras apresentações. É Chandler quem apresenta Hendrix a seus novos músicos, os ingleses Noel Redding, guitarrista que começava a tocar baixo, e Mitch Mitchell, baterista que também havia tocado com uma banda chamada Blue Flames (Georgie Fame and the Blue Flames). A química entre os três é instantânea e logo que eles começam a gravar, Chandler vê que não precisa alugar sala de ensaio para os três, que agora se chamavam The Jimi Hendrix Experience, pois os novos músicos aprendiam rapidamente as músicas de Jimi logo que estavam testando os instrumentos no estúdio.

Fonte: Blog do Matias

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